Em 1990, Gottfredson e Hirschi produziram uma “teoria geral do crime” que gira ao redor da falta de autocontrole. Os autores afirmam que

“People who lack self-control,” will tend to be impulsive, insensitive, physical (as opposed to mental ), risk-taking, short-sighted, and non verbal, and they will tend therefore to engage in criminal and analogous acts… ” (págs. 90-1).”

Mais adiante, os autores acrescentam que essa característica tende a permanecer por toda a vida.

 

É verdade?

 

Pesquisas feitas posteriormente indicam que sim, no que concerne várias atividades delinqüentes ou criminais

  • Dirigir alcoolizado (Keane, Maxim, e Teevan 1993; Piquero e Tibbetts 1996; Shaw e McKenzie 1991; Strand e Garr 1992);
  • Delinqüência juvenil auto-informada (Wood, Pfefferbaum, e Arneklev 1993);
  • Estatísticas oficiais de delinqüência (Brownfield e Sorenson 1993)
  • Comportamentos adultos criminais e/ou imprudentes (Arneklev et al. 1993; Burton etal. 1994; Grasmick et al. 1993; Nagin e Paternoster 1993).

Gottfredson e Hirschi, que se notabilizaram em base à generalização da relação entre idade e crimes (eu adicionaria – sobretudo violentos), propõem outra relação “invariante”. Explicam, prudentemente, que invariante nesse contexto não se aplica a valores exatos, a uma razão fixa, mas a que sempre as taxas de criminalidade são mais altas entre homens do que entre mulheres. É uma relação estabelecida internacionalmente, mas cujos valores variam muito.

 

Os autores não descartam a explicação proposta pela teoria das oportunidades, que afirma que as mulheres tem menos oportunidades de cometer crimes devido ao maior controle familiar e de agências de controle social. Porém, insistem que as diferenças de gênero no cometimento de crimes aparece cedo, antes que haja uma exposição massiva às agências de controle social (como a escola e a igreja).

 

Porém, algumas teorias feministas afirmam que as teorias criminológicas foram predominantemente produzidas por, e para, homens (Adler 1975; Daly e Chesney-Lind 1988; Leonard 1982; Smart 1976), o que é verdade, chegando algumas proponentes a afirmar que não podem ser aplicadas a mulheres. Algumas delas afirmam que a teoria “tradicional” ignora o papel do patriarcalismo (Berger 1989; Campbell 1990; Daly e Chesney-Lind 1988).

 

Se aplicam ou não? É uma questão empírica que não se revolve com afirmações pró ou contra. Há muitos que afirmam que sim, se aplicam (Rosenbaum 1987; Smith 1979; Smith e Paternoster 1987). Há pesquisas orientadas por algumas teorias (particularmente strain theories, teorias de associações diferenciais e de controle) que teriam efeitos comparáveis (Akers et al. 1979; Cernkovich e Giordano 1979; Giordano, Cernkovich e Pugh 1986; Paternoster e Triplett 1988; Smith 1979; Smith e Paternoster 1987).

 

A aplicação ou não de uma teoria a homens e/ou mulheres não é uma questão de princípio nem de ideologia, mas empírica. Poucas se colocam a disjuntiva radical ente se aplicam/não se aplicam, sendo melhor verificar a extensão da aplicabilidade e o seu contexto.

 

Essa é a preocupação de várias pesquisas que pretendo relatar, Deus querendo, no segundo volume de Não Matarás. Falta muito.

Deixe uma resposta