Recebi, de Jorge Zaverucha, um artigo escrito por FELIPE BÄCHTOLD da Agência Folha, “Dono de lanchonete é preso por batizar sanduíche de sargento”. A mensagem, irônica, de Zaverucha pergunta se o brigadeiro também vai ser proibido.
Isso aconteceu no pobre estado de Alagoas, onde Fernando Collor e Renan Calheiros tem forte presença política.

O dono de uma lanchonete em Alagoas foi detido pela Polícia Militar por dar nomes de patentes de militares a sanduíches. O comandante da PM na cidade de Penedo (169 km de Maceió), Eneildo Batista, considerou que a prática, como chamar um hambúrguer de “sargento”, fere a imagem da corporação e mandou deter o comerciante no domingo.

O proprietário da lanchonete, Alberto Lira, 38, foi levado para uma delegacia, onde foi elaborado um boletim de ocorrência, e liberado horas mais tarde. O delegado de plantão entendeu que não havia motivo para a prisão. Os cardápios do estabelecimento foram recolhidos e a loja chegou ser fechada, segundo o advogado do comerciante, Francisco Guerra. Já foi reaberta.

Na lanchonete Mister Burg, o cliente pode escolher lanches como o “coronel”, com filé e presunto, e o “comandante”, de calabresa. A Polícia Militar diz que os nomes dos pratos provocavam “chacotas” e “insinuações” contra os policiais entre os moradores da cidade, que tem 60 mil habitantes.

Lira diz que colocou os nomes como uma homenagem aos militares e nega a intenção de macular a imagem da polícia. O comerciante afirma que teve parentes no Exército e que já serviu a Marinha. Os pratos da lanchonete têm os nomes há 12 anos.

O advogado do comerciante vai entrar com uma denúncia de abuso de autoridade. Ele pediu um habeas corpus preventivo para evitar outra detenção.

“Com o argumento do comandante, nenhuma festa de criança poderia ter brigadeiro [nome de um doce e de um posto da Aeronáutica]“, diz.

A Folha procurou ontem o comandante que pediu a prisão, mas ele não foi encontrado. A PM confirmou a história.

A Polícia Civil de Alagoas está em greve há mais 72 dias. Os policiais trabalham apenas em casos de flagrante, segundo o sindicato dos agentes.


É um claro caso de abuso de autoridade, por uma tropa que ainda não descobriu que a ditadura acabou.

Powered by ScribeFire.

Deixe uma resposta