NOVAS VÍTIMAS, ERROS ANTIGOS
Julho 11, 2008
Versão modificada de artigo publicado no Correio Braziliense. No Rio de Janeiro, as vítimas mudam, mas o padrão é o mesmo: cidadãos, inclusive crianças, mortos por policiais incompetentes e truculentos. São tragédias que se repetem há décadas. Uma consulta aos jornais de diferentes anos mostra que os erros policiais que provocam mortes de inocentes são parte do cenário carioca. Não são novidade: mudam os nomes, mas os erros são os mesmos. Os erros e a truculência da polícia precedem o governo de Sérgio Cabral e não dão sinal de que terminarão.
| Houve uma mudança na política. O enfrentamento entre policiais e o crime organizado também é antigo, mas sua intensidade aumentou. Fala-se de uma política de enfrentamento. Existe? As autoridades negam, mas parece que sim. Um indicador é o crescimento dos autos de resistência, nome dado às mortes de criminosos por policiais: nos quatro primeiros de 2008 foram 502, um aumento considerável sobre os 329 no último ano da gestão anterior. O aumento, considerando a população, não é devido ao acaso. Os testes de significância estatística mostram que a probabilidade de que seja devido ao acaso é menor do que uma vez em mil. Políticas de enfrentamento raramente são unilaterais: o crime organizado também muda o seu comportamento e também partiu para o enfrentamento. A construção de bunkers e de muros com pequenas janelas para armas que controlam o acesso a morros onde há tráfico mostram uma postura diferente da anterior, quando os traficantes desapareciam quando a polícia entrava, voltando poucos dias depois. O enfrentamento entre policiais e o crime organizado também é antigo, mas sua intensidade aumentou. Há vários resultados positivos das políticas que estão sendo aplicadas: os roubos de veículos foram reduzidos de 11.928 para 9.557 e os furtos de veículos de 7.373 para 7.146. O acaso também não explica essas mudanças: políticas mais eficientes e inteligentes estão sendo aplicadas. |
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A queda dos homicídios dolosos também foi significativa. O valor de t, 172.224,4048, com 2 graus de liberdade e um erro padrão da diferença de 83,513, diz que a chance de ser devida ao acaso é menor do que uma em dez mil (p< ,0001). Um bom resultado que, se continuar, salvará muitas vidas.
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