VIOLÊNCIA POR MULHERES
abril 25, 2009
As mulheres também podem ser violentas numa relação íntima. Porém, o contexto da relação influencia o tipo de violência. Swan, Gambone, Caldwell, Sullivan e Snow, numa revisão da literatura, concluíram que a violência pelo parceiro com freqüência anda junto com a violência feminina. Contrariamente à expectativa, a violência, tanto física quanto psicológica, dos homens e das mulheres em relações intimas seria semelhante. Porém, há muita violência masculina sem violência feminina, mas pouca violência feminina sem violência masculina. Boa parte dos atos femininos muito violentos é causada por medo ou numa forma de auto-defesa em situações de conflito violento.
Alguns tipos de violência são notoriamente masculinos, como o abuso sexual, controle na base da força e perseguição. Além disso, as diferenças de peso e de força fazem com que as mulheres tenham uma taxa muito mais alta de ferimentos e mortes.
No que concerne a “primeira violência”, o ato ou atos que iniciam uma cadeia de violência recíproca, nova surpresa: as mulheres iniciam a violência com freqüência semelhante à dos homens, particularmente nos níveis mais baixos de violência em cadeia.
Um tipo de violência doméstica que tem sido chamado de terrorismo íntimo, em que os níveis de violência são mais altos e a violência constante, quase sempre é feito por homens.
E as conseqüências? A revisão de Swan et alii não deixa lugar a dúvidas: a violência afeta mais as mulheres do que os homens, deixa mais seqüelas. Essa é uma área que precisa ser mais pesquisada pois são poucas as pesquisas que acompanham as vítimas.
Conclusões? A maior participação masculina em formas institucionalizadas de violência, como guerras, inclusive civis, revoluções, rebeliões, greves violentas, e em comportamentos individuais violentos, como homicídios e suicídios, fez com que as pesquisas respondessem ao maior peso dos atores masculinos. As pesquisas proporcionaram o crescimento de um sólido corpo de conhecimentos. Porém, o gênero pesa nas relações causais e nos padrões comportamentais na violência individual, o que significa que o arcabouço teórico construído para explicar a violência feita por homens é menos adequado para explicar a violência feita por mulheres. Menos adequado não significa inútil nem prejudicial, mas sua aceitação pouco crítica pode aumentar o risco de que novas pesquisas sobre a violência feminina seja pautada por expectativas criadas a partir do demonstrado entre e para os homens.
O que falta? Pesquisas dirigidas especificamente para entender e explicar a violência feminina a partir de orientações teóricas que permitam a inovação.
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