Recebi do Zeca Borges:

Equipe do Bope esteve na Rua Alberto de Campos, 10 BL B – Ipanema, verificando informação passada ao Disque-Denúncia (2253-1177) e apreendeu 515 sacolés de cocaína, 41 trouxinhas de maconha, 50 papelotes de haxixe, 159 sacolés de crack, duas metralhadoras cal  9mm, 01 carabina cal 38, 01 escopeta cal 12. 
 
Mostra a importância da relação entre a polícia e a sociedade civil

Recebi do Zeca Borges:

Equipe do Bope esteve na Rua Alberto de Campos, 10 BL B – Ipanema, verificando informação passada ao Disque-Denúncia (2253-1177) e apreendeu 515 sacolés de cocaína, 41 trouxinhas de maconha, 50 papelotes de haxixe, 159 sacolés de crack, duas metralhadoras cal  9mm, 01 carabina cal 38, 01 escopeta cal 12. 
 
Mostra a importância da relação entre a polícia e a sociedade civil

Recebi, de José Maria Nóbrega, artigo que mostra melhoria nas taxas de homicídio em Pernambuco – uma redução de, aproximadamente, dez por cento. A análise mais detalhada, feita por Nóbrega, mostra um movimento contrário: baixa nas cidades grandes e médias, alta nas cidades pequenas e zonas rurais. O saldo é bom para Pernambuco, revelando efeitos positivos das políticas públicas adotadas. É possível que esses resultados revelem uma “sobre”concentração dos recursos onde salvam mais vidas, nas grandes cidades, com população muito maior e taxas de homicídio também maiores.
O artigo foi publicado no Jornal do Commércio.

Número de mortes violentas cai 10% em nove meses
 

Publicado em 01.12.2009 (Jornal do Commercio, Recife)

Até setembro deste ano foram 3.031 homicídios contra 3.398 em 2008. A violência cresce apenas nas cidades que têm menos de 20 mil habitantes
A Agência Condepe/Fidem divulgou ontem, os números consolidados da violência em Pernambuco de janeiro a setembro de 2009. No comparativo com o mesmo período do ano passado, o total de crimes violentos letais intencionais (soma dos homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte) recuou 10,8%, passando de 3.398 no ano passado para 3.031 este ano.
A análise das estatísticas por municípios mostrou que apenas nas cidades com menos de 20 mil habitantes, a violência continua crescendo. “Há duas explicações para isso. A primeira é que em cidades pequenas bastam poucos casos para que a taxa de homicídios cresça muito. Por outro lado, os municípios menores têm menos concentração populacional em áreas urbanas, o que torna mais difícil a inibição da criminalidade pela polícia”, avaliou o gerente de Análise Criminal e Estatística da Secretaria de Defesa Social, Gerard Sauret.
Dos dez municípios pernambucanos com mais de 100 mil habitantes, apenas Olinda anotou crescimento no número de homicídios, passando de 193 de janeiro a setembro de 2008, para 198, este ano. A maior queda ocorreu em Garanhuns, no Agreste, com 27 assassinatos de janeiro a setembro de 2009, contra 50, no ano passado.
Com uma média estadual de redução de 11,7% na taxa de homicídios em nove meses, Pernambuco está bem perto de bater a meta de 12% estipulada pelo governo no Pacto pela Vida.
Os dados preliminares de outubro também foram divulgados e a redução na taxa de homicídios ficou em 16,8%. Bem acima do patamar fixado.
Os bons resultados têm animado a cúpula da Segurança Pública de Pernambuco. Em um evento há dez dias, o aumento da meta de redução de homicídios chegou a ser especulado. Com o Estado prestes a completar 12 meses seguidos de queda na violência, o governador Eduardo Campos assegurou que o recuo na taxa de assassinatos será superior aos 12% estabelecidos no Pacto pela Vida.
NOVA META
Já o chefe de Polícia Civil, Manoel Carneiro, cravou, em seu discurso, que a meta deve ser redimensionada, dada a melhoria crescente no desempenho das polícias. “Nossa expectativa é uma redução superior a 12% na taxa de homicídios. Sobre uma nova cifra para a meta, ainda não definimos isso”, afirmou o governador.
O chefe de Polícia Civil se mostrou mais enfático. “Em 2006, a produtividade da Polícia Civil foi de 15.900 inquéritos. Devemos encerrar este ano com mais de 31 mil procedimentos encaminhados à Justiça. Isso nos dá a convicção de que a meta deve ser reavaliada”, pontuou Manoel Carneiro.
A diminuição dos casos de violência deve prosseguir no balanço do mês de novembro. A expectativa é que o Estado tenha menos de 300 assassinatos no período.
Números Absolutos de Homicídios (C.V.L.I.):
Janeiro/Setembro de 2008: 3.398
Janeiro/Setembro de 2009: 3.301
Variação percentual nos N.A.:
Janeiro/Setembro de 2008 vs Janeiro/Setembro de 2009: -10,8%
Taxas de Homicídios:
Janeiro/Setembro de 2008: 39,54
Janeiro/Setembro de 2009: 34,90
Variação percentual nas T.H.:
Janeiro/Setembro de 2008 vs Janeiro/Setembro de 2009: -11,7%
Outros números absolutos:
Municípios com população até 20 mil habitantes:
Janeiro/Setembro de 2008: 296 homicídios
Janeiro/Setembro de 2009: 325 homicídios
Variação percentual: +9,8%
Municípios com população de 20 a 50 mil habitantes:
Janeiro/Setembro de 2008: 564 homicídios
Janeiro/Setembro de 2009: 561 homicídios
Variação percentual: -0,53%
Municípios com população de 50 a 100 mil habitantes:
Janeiro/Setembro de 2008: 541 homicídios
Janeiro/Setembro de 2009: 484 homicídios
Variação percentual: -10,5%
Municípios com população superios aos 100 mil habitantes:
Janeiro/Setembro de 2008: 1.997 homicídios
Janeiro/Setembro de 2009: 1.660 homicídios
Variação percentual: -16,8%
Fontes dos dados: Agência Condepe/Fidem (SDS-PE)

Disponível em: http://jc3.uol.com.br/jornal/2009/12/01/not_357129.php

 

Recebi, de José Maria Nóbrega, artigo que mostra melhoria nas taxas de homicídio em Pernambuco – uma redução de, aproximadamente, dez por cento. A análise mais detalhada, feita por Nóbrega, mostra um movimento contrário: baixa nas cidades grandes e médias, alta nas cidades pequenas e zonas rurais. O saldo é bom para Pernambuco, revelando efeitos positivos das políticas públicas adotadas. É possível que esses resultados revelem uma “sobre”concentração dos recursos onde salvam mais vidas, nas grandes cidades, com população muito maior e taxas de homicídio também maiores.
O artigo foi publicado no Jornal do Commércio.

Número de mortes violentas cai 10% em nove meses
 

Publicado em 01.12.2009 (Jornal do Commercio, Recife)

Até setembro deste ano foram 3.031 homicídios contra 3.398 em 2008. A violência cresce apenas nas cidades que têm menos de 20 mil habitantes
A Agência Condepe/Fidem divulgou ontem, os números consolidados da violência em Pernambuco de janeiro a setembro de 2009. No comparativo com o mesmo período do ano passado, o total de crimes violentos letais intencionais (soma dos homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte) recuou 10,8%, passando de 3.398 no ano passado para 3.031 este ano.
A análise das estatísticas por municípios mostrou que apenas nas cidades com menos de 20 mil habitantes, a violência continua crescendo. “Há duas explicações para isso. A primeira é que em cidades pequenas bastam poucos casos para que a taxa de homicídios cresça muito. Por outro lado, os municípios menores têm menos concentração populacional em áreas urbanas, o que torna mais difícil a inibição da criminalidade pela polícia”, avaliou o gerente de Análise Criminal e Estatística da Secretaria de Defesa Social, Gerard Sauret.
Dos dez municípios pernambucanos com mais de 100 mil habitantes, apenas Olinda anotou crescimento no número de homicídios, passando de 193 de janeiro a setembro de 2008, para 198, este ano. A maior queda ocorreu em Garanhuns, no Agreste, com 27 assassinatos de janeiro a setembro de 2009, contra 50, no ano passado.
Com uma média estadual de redução de 11,7% na taxa de homicídios em nove meses, Pernambuco está bem perto de bater a meta de 12% estipulada pelo governo no Pacto pela Vida.
Os dados preliminares de outubro também foram divulgados e a redução na taxa de homicídios ficou em 16,8%. Bem acima do patamar fixado.
Os bons resultados têm animado a cúpula da Segurança Pública de Pernambuco. Em um evento há dez dias, o aumento da meta de redução de homicídios chegou a ser especulado. Com o Estado prestes a completar 12 meses seguidos de queda na violência, o governador Eduardo Campos assegurou que o recuo na taxa de assassinatos será superior aos 12% estabelecidos no Pacto pela Vida.
NOVA META
Já o chefe de Polícia Civil, Manoel Carneiro, cravou, em seu discurso, que a meta deve ser redimensionada, dada a melhoria crescente no desempenho das polícias. “Nossa expectativa é uma redução superior a 12% na taxa de homicídios. Sobre uma nova cifra para a meta, ainda não definimos isso”, afirmou o governador.
O chefe de Polícia Civil se mostrou mais enfático. “Em 2006, a produtividade da Polícia Civil foi de 15.900 inquéritos. Devemos encerrar este ano com mais de 31 mil procedimentos encaminhados à Justiça. Isso nos dá a convicção de que a meta deve ser reavaliada”, pontuou Manoel Carneiro.
A diminuição dos casos de violência deve prosseguir no balanço do mês de novembro. A expectativa é que o Estado tenha menos de 300 assassinatos no período.
Números Absolutos de Homicídios (C.V.L.I.):
Janeiro/Setembro de 2008: 3.398
Janeiro/Setembro de 2009: 3.301
Variação percentual nos N.A.:
Janeiro/Setembro de 2008 vs Janeiro/Setembro de 2009: -10,8%
Taxas de Homicídios:
Janeiro/Setembro de 2008: 39,54
Janeiro/Setembro de 2009: 34,90
Variação percentual nas T.H.:
Janeiro/Setembro de 2008 vs Janeiro/Setembro de 2009: -11,7%
Outros números absolutos:
Municípios com população até 20 mil habitantes:
Janeiro/Setembro de 2008: 296 homicídios
Janeiro/Setembro de 2009: 325 homicídios
Variação percentual: +9,8%
Municípios com população de 20 a 50 mil habitantes:
Janeiro/Setembro de 2008: 564 homicídios
Janeiro/Setembro de 2009: 561 homicídios
Variação percentual: -0,53%
Municípios com população de 50 a 100 mil habitantes:
Janeiro/Setembro de 2008: 541 homicídios
Janeiro/Setembro de 2009: 484 homicídios
Variação percentual: -10,5%
Municípios com população superios aos 100 mil habitantes:
Janeiro/Setembro de 2008: 1.997 homicídios
Janeiro/Setembro de 2009: 1.660 homicídios
Variação percentual: -16,8%
Fontes dos dados: Agência Condepe/Fidem (SDS-PE)

Disponível em: http://jc3.uol.com.br/jornal/2009/12/01/not_357129.php

 

O Exercito dos Estados Unidos decidiu enfrentar o problema da morte prematura dos seus soldados fora do combate. Um dos enfrentamentos é contra o suicídio. Para atingir o conhecimento de que necessita está fazendo uma parceria com universidades de prestígio e tradição em pesquisas: Harvard, Columbia e a Michigan. A equipe não estudará apenas o suicídio, mas uma ampla gama de doenças mentais que levam ao suicídio ou que reduzem a qualidade da vida de soldados e oficiais.
Na primeira parte serão estudados os militares que se suicidaram entre 2004 e 2009, comparando-os com um grupo controle. Esperam que os resultados dessa primeira pesquisa possa informar a segunda, que será um survey de militares na ativa. O survey será grande: vários milhares de soldados serão entrevistados mensalmente durante três anos. Outra pesquisa acompanhará cem mil recrutas recentes durante três anos.
O Pesquisador Responsável que representa o Exército está plenamente consciente das objeções advindas dos próprios militares:
“It could not have been easy to look outside your own organization to ask somebody whether they had tools and perspectives that might be helpful,” he said. “But the Army showed tremendous courage and leadership in doing that.”
São pesquisas semelhantes às que deveríamos realizar com nosso militares e, sobretudo, com nossas polícias, mas essas instituições ainda adotam uma política de avestruz que enfia a cabeça na terra para não ver e poder continuar a fingir que não está acontecendo.

O Exercito dos Estados Unidos decidiu enfrentar o problema da morte prematura dos seus soldados fora do combate. Um dos enfrentamentos é contra o suicídio. Para atingir o conhecimento de que necessita está fazendo uma parceria com universidades de prestígio e tradição em pesquisas: Harvard, Columbia e a Michigan. A equipe não estudará apenas o suicídio, mas uma ampla gama de doenças mentais que levam ao suicídio ou que reduzem a qualidade da vida de soldados e oficiais.
Na primeira parte serão estudados os militares que se suicidaram entre 2004 e 2009, comparando-os com um grupo controle. Esperam que os resultados dessa primeira pesquisa possa informar a segunda, que será um survey de militares na ativa. O survey será grande: vários milhares de soldados serão entrevistados mensalmente durante três anos. Outra pesquisa acompanhará cem mil recrutas recentes durante três anos.
O Pesquisador Responsável que representa o Exército está plenamente consciente das objeções advindas dos próprios militares:
“It could not have been easy to look outside your own organization to ask somebody whether they had tools and perspectives that might be helpful,” he said. “But the Army showed tremendous courage and leadership in doing that.”
São pesquisas semelhantes às que deveríamos realizar com nosso militares e, sobretudo, com nossas polícias, mas essas instituições ainda adotam uma política de avestruz que enfia a cabeça na terra para não ver e poder continuar a fingir que não está acontecendo.

A VIOLÊNCIA HOMICIDA NO BRASIL: ECOS DE UM SEMINÁRIO

Muitos opinam sobre o crime e as taxas de homicídio; muitos pensam as regiões brasileiras como homogêneas: Sul, Nordeste etc. seriam internamente semelhantes. Não é assim. A violência varia muito dentro da mesma região e as tendências também variam. Não há perfil único nem tendência regional homogênea. Não obstante, há tendências nacionais claras: as taxas brutas de homicídio cresceram linearmente desde 1979 e começaram a descer em 2003, como resultado do Estatuto do Desarmamento. A taxa de 2007 é mais baixa do que a de 2000.

Houve, recentemente, o Primeiro Seminário Nacional sobre Homicídios, em Caruaru, Pernambuco. Uma excelente criminóloga gaúcha, Letícia Maria Schabbach, apresentou um  trabalho cobrindo os três estados do Sul durante um amplo período, de 1980 a 2007. Schabbach mostra que a taxa de homicídios por cem mil hbs varia muito de estado para estado, na mesma região, a Sul. Ela é maior no Paraná e menor em Santa Catarina, Há diferenças nas tendências. A taxa paranaense é quase três vezes a catarinense. Em Santa Catarina, a taxa por 100 mil hbs tem flutuado entre 10 e 12, perto do limite considerado aceitável – internacionalmente. Acima de 10 por 100 mil hbs. a OMS considera que existe uma epidemia. Santa Catarina é o estado com a taxa de homicídios mais baixa do país.

Há flutuações na região. Em Santa Catarina são “mini-flutuações”. Já o Paraná sofreu uma explosão de homicídios: a taxa começou a crescer em 1998-1999 e, particularmente, a partir de 2000. Com uma taxa de aproximadamente 30 por cem mil hbs, nos últimos quatro anos analisados (2004 a 2007) o Paraná se tornou mais violento do que o Brasil como um todo. Em 2000 era o 16º estado mais violento, mas em 2007 já era o nono.

O Rio Grande do Sul apresenta um perfil diferente, com flutuações maiores. Houve um crescimento grande entre 1985 e 1991 e uma certa estabilidade durante seis a sete anos. O último ano da série analisada foi 2007, que também foi o mais violento. A situação recente do estado é preocupante.

A análise por décadas mostra como a situação deteriorou no Paraná em anos recentes: na década de 90 o Paraná e o Rio Grande do Sul tinham taxas brutas (sobre o total da população) semelhantes – em verdade, a taxa gaúcha era marginalmente mais alta. Porém, na década seguinte o crescimento dos homicídios no Paraná foi acelerado e a taxa bruta passou de 15,3 para 25,8, substancialmente maior do que a do Rio Grande do Sul.

Olhando para todos os estados brasileiros vemos uma tendência demonstrada muitas vezes – os estados com taxas mais altas numa década tendem a ser os mesmos na década seguinte. Porém, não é uma situação estática – há variações. A autora apresenta dados para todos os anos em que houve censos e contagens sobre todos os estados brasileiros, o que permite ver, com maior segurança, quais os estados nos que o crescimento foi mais acelerado. Os dados confirmam que houve uma explosão homicida em Alagoas (a que fiz alusão neste jornal) que passou do 11º lugar entre os estados brasileiros em 2000 ao 1º em 2007. A taxa bruta alagoana, de 60,6 por cem mil habitantes, é inaceitável. A taxa existente entre 1991 e 2000 era menos da metade do que é hoje – mais do que dobrou.

O Espírito Santo, Pernambuco e o Rio de Janeiro seguiram um padrão diferente. Desde 1980 estão entre os mais violentos. Porém, mesmo entre esses estados com níveis altos e relativamente estáveis de violência, houve mudanças. A taxa bruta do Rio de Janeiro atingiu o auge em 1996, 60 por 100 mil, semelhante à de Alagoas em 2007. O Rio de Janeiro foi o estado mais violento do Brasil naquele ano (posição que ocupou em vários anos da década de 80). Já José Maria Nóbrega mostra que os benefícios do Estatuto do Desarmamento se concentraram no Sudeste e que, no Nordeste, as taxas cresceram ininterruptamente. No Sudeste, as taxas desabaram entre 2003 e 2007, de 36 por cem mil hbs a 23. Usando dados do SIM, organizados pelo Ministério da Saúde, mostra um crescimento entre 2004 e 2007. Segundo a apresentação de outro pesquisador, J. L. Ratton, a situação em Pernambuco começou a ser revertida em 2008, reversão que continua em 2009.

Outra explosão catastrófica da violência homicida se deu no Pará. Em 2000 ocupava o 21º lugar, com uma taxa de 13 por cem mil, aceitável por padrões brasileiros. Em sete anos passou a ser o 7º estado mais violento no país e sua taxa pulou de 13 para 31,2. Na Bahia também cresceu a violência e o estado passou da confortável posição de 23º estado mais violento para 14º.

Há bom exemplos. No ano 2000, São Paulo era o 4º estado mais violento do país; em 2007, é o 25º, o antepenúltimo, acima apenas do Piauí, estado cujas estatísticas não são confiáveis, e de Santa Catarina, o estado com a mais baixa taxa bruta de homicídios do país. A taxa paulista caiu de 42,3 para 15,7. São Paulo se tornou um exemplo internacionalmente famoso de contenção e redução da violência homicida.

O Brasil oferece muitos exemplos de fracassos e sucessos de políticas públicas de controle da violência, em geral, e dos homicídios, em particular.  Precisamos estudar muito melhor esses exemplos.


Gláucio Ary Dillon Soares

Esta é a estória de um americano que passou muito tempo cuidado da esposa que sofria de mielomas múltiplos. Os avanços nos cânceres significam tanto uma taxa de cura mais elevada quanto uma sobrevivência bem maior do que há algumas décadas. A sobrevivência raramente é sem efeitos, ou com efeitos toleráveis, como a minha até agora. O mieloma e seu tratamento causam muita dor e outros sintomas.

Finalmente, depois de muitos anos de luta, ela faleceu. Durante todo esse tempo ele ficou, fielmente, como o principal caretaker, a pessoa que cuida do doente (e que também tem que ser cuidada). Cinco anos depois, fez seus exames de rotina e descobriu que tinha uma forma agressiva de câncer da próstata. Depois de ver o que a esposa tinha sofrido, nosso amigo entrou em depressão. Sabia pouco e, como bom americano com instrução pelo menos secundária, foi se informar. Leu muito em pouco tempo, analisou os tratamentos e seus efeitos colaterais, chegando à conclusão de que era uma escolha difícil. O tratamento que parecia oferecer melhores resultados, a prostatectomia, tinha pesados efeitos colaterais. Um amigo ficou usando fraldas muitos anos, vários ficaram impotentes. Além disso, como tinha feito várias cirurgias cardíacas e tinha um aneurisma na aorta, a prostatectomia não era aconselhável. Por contraste, se deu conta de que o câncer da próstata era muito menos doloroso do que o mieloma (e do que muitos outros cânceres). Escolher o tratamento deu problemas inesperados. Chegou à conclusão de que o tratamento adequado tinha um nome complicado, CyberKnife Radiosurgery, disponível no WellStar Kennestone Cancer Center, em Marietta, na Geórgia. CyberKnife é um nome inadequado: não é cirurgia e tem poucos efeitos colaterais. Foram os brandos efeitos colaterais que o atraíram. Na idade dele, as diferenças entre as taxas de cura eram menos importantes.

Decisão fácil, não é? Não. Os problemas começaram depois: o seguro não queria pagar. O procedimento era novo, insuficientemente testado, e era caro. A opção era fazer um apelo legal em um mês ou outro tratamento. Como o câncer era agressivo, não poderia esperar muito tempo. Apelou, mas fez o tratamento desejado antes do resultado. O processo ainda está rolado, ainda que lá dure muito, muito menos tempo do que aqui.

O tratamento durou cinco dias, uma hora cada. Enquanto fazia o tratamento, emplacou 67 anos, com direito a festinha e bolinho. O PSA caiu dramaticamente, de 6,8 para 0,6 em 4 meses. Como não foi prostatectomia, pode estar curado. Afinal, ainda tem a próstata e a próstata normalmente produz PSA.

Nosso sobrevivente se sente bem. É doidinho da silva. Seu maior passatempo é ser piloto de automóveis de corrida… Voltou a competir, aos 68. Num fecho romântico, acha que sua esposa, hoje transformada em anjo, está cuidando dele.’

Tenho publicado – e pretendo continuar – algumas notícias enviadas pelo Zeca Borges, que ilustram a relevância da participação cidadã no micro-nível das políticas públicas. As que relato abaixo são alguns exemplos, entre muitos:

O Dia Online

Após receber informações passadas pelo Disque-Denúncia (2253-1177), uma guarnição do Grupamento de Ações Táticas (Gat) do 14º BPM (Bangu) apreendeu, por volta das 5h30 deste domingo, um fuzil calibre 7.62mm, 20 munições para a arma, um carregador de fuzil e um rádio transmissor, na favela da Coréia, em Senador Camará.

Polícia apreende drogas em Realengo

Policiais militares recolheram, na tarde deste sá bado, cerca de 330g de cocaína, um colete à prova de balas, três carregadores, dois radiotransmissores e munições na Rua Olavo de Souza Aguiar, na Favela do Fumacê, em Realengo, na Zona Oeste. Segundo a PM, dois carros, que seriam clonados, também foram apreendidos.
De acordo com a PM, o material foi localizado com ajuda de informações colhidas pelo Disque-Denúncia (2253-1177). 
 
Batalhão Florestal prende baloeiros em alto-mar
 
Policiais do BF prenderam em flagrante, neste domingo (9), 16 baloeiros que tentavam recuperar balões que caíram na Baía de Guanabara. Segundo a PM, os suspeitos foram presos em alto-mar durante operação conjunta com o Grupamento Aeromarítmo (Gam).
A ação foi realizada com a ajuda de informações colhidas através do Disque-Denúncia (2253-1177). Um helicóptero e duas lanchas da Polícia Militar foram usados para localizar os baloeiros. De acordo com a polícia, os suspeitos estavam em três barcos com seis balões.


Morreremos de medo?
 
Em tempos de gripe e violência, o Brasil se depara com notícias profetizando pandemias de depressão e medo.Então, recordo-me do poeta Carlos Drummond de Andrade em seu  Congresso Internacional do Medo:
 
“Provisoriamente não cantaremos o amor,

que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.

Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.”
 
Em duas décadas a depressão deverá ser o maior problema de saúde pública no mundo. Estudo publicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em 1º de setembro, aponta que a doença afetará mais pessoas que qualquer outra, incluindo o câncer. O problema também afetará os governos, que deverão arcar com os custos de tratamento da população.
 
A “epidemia silenciosa”, como chama Shekhar Saxena, do Departamento de Saúde Mental da OMS, deve afetar mais os países pobres, onde são registrados mais diagnósticos. O médico acredita que a depressão é como qualquer outra doença e que a população tem direito de ser tratada e aconselhada sobre formas de se curar. No mundo, 450 milhões de pessoas sofrem de alguma espécie de distúrbio mental.
 
Estresse, medo e depressão estão intimamente interligados. A exposição a fatores estressantes tem papel importante no desenvolvimento de transtornos depressivos. Os mecanismos envolvidos nesta relação, no entanto, ainda são pouco conhecidos.
 
Mas, o que é o estresse? O termo estresse, tomado de empréstimo da física, foi empregado em 1936 pela primeira vez por Hans Selye para descrever uma ameaça real ou potencial à homeostasia, que seria o equilíbrio dinâmico do funcionamento físico e/ou mental. O estresse e a depressão são dois desequilíbrios emocionais que se transformam em doença com muita facilidade, quando não tratados em tempo. Existem fatores que podem contribuir para o estresse como barulho, poluição, locais muito quentes, muito frios, falta de espaço, violência.
 
A má alimentação, o comer rapidamente entre ou durante as atividades, a falta de exercícios e o sedentarismo também são fortes candidatos ao estresse, além da ingestão excessiva de medicamentos, a automedicação, o uso de drogas, álcool e cigarro.
 
O estresse não acontece somente por motivos de excesso de trabalho, mas também pela insatisfação e pela falta de prazer naquilo que se faz. Já a depressão manifesta-se por medo aguçado, tristeza, cansaço, perda da apetite, baixa auto estima, ansiedade, agressividade etc.Pode ser associada ao pânico, provocando taquicardia, tremores e náuseas.
 
Vimos hoje professores ensinando em áreas de risco, conflagradas, onde às vezes o único sinal do estado é a surrada escola pública, onde as crianças têm o primeiro contato com a cidadania. Estas comunidades são visitadas, muito frequentemente, por outra presença estadual que são as forças de segurança, e neste dia, a escola não funciona.Os professores que já estão na mesma, lá se abrigam entre tiros.Haja medo!
As companhias que prestam serviços de eletricidade, gás, luz, mesmo escoltadas pela polícia, são rechaçadas à bala. Haja estresse! Questionam os governantes o porquê de tantos afastamentos por problemas psicossomáticos.
 
Da mesma forma que professores e médicos, os policiais também têm medo, estresse e depressão. A Infortunística, ciência que estuda as doenças do trabalho, nos ensina sobre o risco profissional, que pode ser genérico – incide sobre todas as pessoas, independentes das suas ocupações, por exemplo, um acidente no percurso de ida e volta ao trabalho -, específico – depende da natureza da função e da natureza do trabalho como os operadores de máquina – e genérico agravado – é a condição normal de trabalho agravada por um risco adicional externo, como o fato de ser médico em uma comunidade violenta. Haja depressão!
 
Sabe-se que a maioria dos casos de depressão ocorre em pessoas com menos de 45 anos de idade. Cerca de 50% dos casos de suicídio estão associados à depressão. Por motivos éticos óbvios as diversas mídias não costumam noticiar esta modalidade de morte.Como diria outro poeta, Chico Buarque, “a dor da gente não sai no jornal”…